Carol Zerbato

Publicitária, Carol  já fez um pouco de tudo: trabalhou com televisão e comunicação corporativa; já foi locutora e repórter; e atuou como redatora e revisora publicitária. É criadora da Cachorra Carol, fundadora e Chief Creative Officer da agência Baleia, e mãe de três filhos: Rachel, a mais velha, uma labralata; Deloris, a do meio, uma gata vira-lata; e Ben, o caçula, um humano.

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São 14 anos atuando em comunicação, 10 deles no segmento pet. Foi quando surgiu a vontade de dar voz aos bichos – mas pela visão deles. Criou alguns projetos nessa linha, foi amadurecendo a ideia e, então, surgiu a cachorra Carol: histórias em quadrinhos que retratam as relações humanas através do olhar de uma vira-lata, a fim de conscientizar a sociedade sobre a causa animal.

A imensa satisfação em criar a favor dos animais também levou Carol a abrir sua própria agência de propaganda em 2013. O negócio expandiu e, hoje, atende clientes de diversos segmentos.

“Comecei com dois clientes, sendo que um era pro bono (risos). Hoje, são 14. E amo criar para cada um deles. Só sou super-rígida com a cultura empresarial. Por exemplo: se um cliente quiser nos contratar, pelo dinheiro que for, mas não se preocupar genuinamente com o bem-estar dos animais, nada feito. Recusamos. Ser assim faz a gente ganhar menos? Faz. Mas, se não formos coerentes com nossos princípios, como vamos exigir isso dos outros?”

Rígida, não radical. E também sem paciência para estrelismo:

“Eu costumo falar que sou uma ativista torta, do lado B, porque não saio por aí brigando com as pessoas sem antes entender por que elas comem vitela ou pagam para nadar com golfinhos. Dependendo dos motivos, aí eu brigo (risos). Mas apontar o dedo não é eficaz. Parar, ouvir e entender o porquê de determinado comportamento é a mais valiosa ferramenta para construir uma nova consciência. Acho que o segredo é entender que a causa animal é uma questão de ser, não de estar nem de “star”. Mas, infelizmente, o objetivo de muita gente que se diz ativista é justamente aparecer mais que a causa. Gente que, enquanto fica divagando sobre o próprio umbigo, não sabe que uma orca sofre vivendo sozinha há quase 40 anos em um aquário de Miami. Gente que não percebe que aplauso é consequência, não objetivo. Gente que não entende que Nelson Mandela saiu da prisão com o propósito de fazer sua parte por um mundo melhor e, consequentemente, foi capa da Time, não o contrário.”

2H1A2205-2E quando bate o desânimo…

“Tem dia que dá vontade de desistir. Porque a quantidade de gente louca que usa a causa animal em benefício próprio não é brincadeira. Mas, aí, paro, respiro e lembro de uma conversa que tive com um especialista em defesa dos animais, em que estávamos tentando traçar alguma estratégia para ajudar Tilikum, a maior orca em cativeiro (morta em janeiro de 2017), e ele me disse: “Sabe, Carol… Às vezes, tudo que a gente precisa para salvar um animal é de uma pessoa doidinha como você”. No dia, encarei como um elogio (risos) e, hoje, como um mantra. Aí, engulo o choro, levanto a cabeça e sigo em frente.